"il macellaio per eccellenza"
Certa vez, Paolo Ronald Iglesias Montero, atuando pela Juventus italiana, recebera o título de "un delinquente proprio" por um narrador local, aos berros, clamando por sua expulsão, após patada em Francesco Totti. Pedido concedido, Montero fora advertido com roja directa. Nenhuma novidade para este que detém o record de expulsões na Serie A da velha bota, com 19 cartões. Feito representativo para o futebol de um país conhecido pelo jogo duro, prova de que o uruguaio deixava tudo pela camisa que vestia.
Paolo Montero era zagueiro, de baixa estatura para os padrões modernos, fato que não impediu que fosse considerado, junto com Ciro Ferrara, a melhor dupla de zaga do mundo. Também chegava ao ataque com competência para cabecear. Embora com boa saída de jogo e bom posicionamento, fazia-se respeitar pela garra e temperamento, características herdadas de seu pai, Julio Montero Castillo, outro referente de la garra charrúa.
Diferentemente de Julio, ídolo do Nacional, Paolo é hincha de Peñarol, clube onde começou e encerrou sua carreira.
Pela seleção de seu país, foi capitão. Foram 15 anos de huevo e luta com a remera celeste.
Também atuou pela Atalanta, com relevante sucesso. E foi em Bergamo onde pôde debutar internacionalmente sua raça. Pelo San Lorenzo, uma passagem breve, logo após deixar a Vecchia Signora.
Paolo Montero nos remete àquele jogador cada vez mais inadequado ao futebol frio e controlado que temos que aturar atualmente.
Um tipo que aliou qualidade, personalidade e dedicação total com a camisa que vestia. Quem não espera um ídolo desse porte no seu time do coração!? Privilégio do povo uruguaio e dos hinchas e tifosi dos quatro clubes que Montero representou.
Abaixo, um breve compilado feito por um fã juventino sobre este referente, que me impressionava quando adolescente e fez-se querido por onde jogou, e cobiçado/invejado/odiado por demais clubes e torcedores.
"Esa patada fué una de las que hice por gusto"

