quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Antonio Di Natale





Mal havia atingido a adolescência, Antonio Di Natale deixava seus pais, irmãos e Pomigliano d’Arco, província de Napoli, rumo à cidade de Empoli, para ver ali, o sonho de ser calciatore, tornar-se realidade.
Estava a 498 quilômetros de casa. A saudade apertava e a vontade de largar tudo, também. Convencido por seu amigo e ídolo, Vincenzo Montella e pelo presidente do Empoli, Fabrizio Corsi, Totò decide ficar. Como muitos napolitanos, a distância da cidade natal foi superada com bastante trabalho e perseverança.
Com poucas oportunidades no time principal, Di Natale é emprestado. Nesse período, atua por três clubes da Serie C: Iperzola, Varese e Viareggio. Experiência adquirida, retorna ao Empoli na temporada 1999-2000, para disputar a 2ª divisão italiana.



Daí em diante, são cinco stagioni de protagonismo pelos Azzurri, entre Séries A e B. As boas atuações pelo clube toscano, levaram o atacante à estrear com a camisa da Italia, em 2002.
Em 2004, Di Natale se despede de Empoli com 55 gols anotados, e se transfere para a Udinese. Dessa vez, são 838 quilômetros de sua cidade natal.



O que Totò não poderia imaginar, era que a camisa bianconera o faria sentir-se veramente friulano.
Já são onze anos em Udine. E onze anos de resistência. Di Natale disse não ao assédio do trio Juventus, Inter e Milan. Rechaçou até mesmo o Napoli, seu time do coração. Um equívoco? De jeito nenhum. Com a camisa da Udinese, Di Natale pôde levar a equipe friulana para a sua primeira participação em Champions League. Na temporada 2014-2015, completou 400 jogos pela Seria A italiana, fazendo seu 200º gol na mesma partida. Tornou-se o maior artilheiro da história do clube, também sendo o jogador que mais vezes vestiu essa maglia. Tamanho sucesso pela equipe bianconera, levaram o capitão
à dez anos defendendo a Seleção Italiana, sendo o camisa 10 na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Não por acaso, o número 10 se faz presente diversas vezes, é o mesmo que seu máximo referente, Diego Maradona, costumava usar.
Mas o diferencial de Di Natale não pára por aí. Em 2012, seu amigo e ex-companheiro de Udinese, Piermario Morosini, morre após parada cardíaca em plena partida, enquanto defendia as cores do Livorno, deixando desamparada sua irmã mais nova, Maria Clara, que sofre de transtornos mentais e dependia dos cuidados do irmão. Prontamente, Di Natale requer e assume a custódia de Maria Clara.
Em pleno 2015, salientando os rumos desagradáveis que o futebol segue tomando, poucos podem se orgulhar de terem um ídolo em atividade. E ainda, com a proporção que a palavra “ídolo”representa, sem banalidades típicas que o futebol moderno é capaz.
Certamente, os tifosi da Udinese são privilegiados.
SEI UN GRANDE, TOTÒ!



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Paolo Montero


                                                "il macellaio per eccellenza"                                               

Certa vez, Paolo Ronald Iglesias Montero, atuando pela Juventus italiana, recebera o título de "un delinquente proprio" por um narrador local, aos berros, clamando por sua expulsão, após patada em Francesco Totti. Pedido concedido, Montero fora advertido com roja directa. Nenhuma novidade para este que detém o record de expulsões na Serie A da velha bota, com 19 cartões. Feito representativo para o futebol de um país conhecido pelo jogo duro, prova de que o uruguaio deixava tudo pela camisa que vestia.

Paolo Montero era zagueiro, de baixa estatura para os padrões modernos, fato que não impediu que fosse considerado, junto com Ciro Ferrara, a melhor dupla de zaga do mundo. Também chegava ao ataque com competência para cabecear.  Embora com boa saída de jogo e bom posicionamento, fazia-se respeitar pela garra e temperamento, características herdadas de seu pai, Julio Montero Castillo, outro referente de la garra charrúa. 
Diferentemente de Julio, ídolo do Nacional, Paolo é hincha de Peñarol, clube onde começou e encerrou sua carreira. 




Pela seleção de seu país, foi capitão. Foram 15 anos de huevo e luta com a remera celeste. 
Também atuou pela Atalanta, com relevante sucesso. E foi em Bergamo onde pôde debutar internacionalmente sua raça. Pelo San Lorenzo, uma passagem breve, logo após deixar a Vecchia Signora. 

Paolo Montero nos remete àquele jogador cada vez mais inadequado ao futebol frio e controlado que temos que aturar atualmente. 
Um tipo que aliou qualidade, personalidade e dedicação total com a camisa que vestia. Quem não espera um ídolo desse porte no seu time do coração!? Privilégio do povo uruguaio e dos hinchas e tifosi dos quatro clubes que Montero representou.
Abaixo, um breve compilado feito por um fã juventino sobre este referente, que me impressionava quando adolescente e fez-se querido por onde jogou, e cobiçado/invejado/odiado por demais clubes e torcedores.


"Esa patada fué una de las que hice por gusto"




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Blas Armando Giunta


"Giunta! Giunta! Giunta! Huevo! Huevo! Huevo!"
Não poderia inaugurar esse blog com outro jogador, senão Blas Armando Giunta Rodríguez.
Esse simples grito da hinchada Xeneize, resume o que o He-Man representava dentro de campo. 
Deixava a vida em cada bola disputada. Um expoente do que conhecemos por "romper los huevos".
Em seu primeiro ano envergando a camisa azul e ouro do Boca, o o argentino ajudou a tirar o clube da fila de oito anos sem títulos, fazendo o gol na disputa de penaltis que garantiu a taça da Supercopa de 1989, contra o Independiente, en Avellaneda.
Sim, além de todo aguante, porrada, raça e sangue, Giunta fazia seus gols. Sabia sair jogando, chegava bem ao ataque. Poderia atuar como um primeiro ou segundo volante, sem problemas.
Começou sua carreira no San Lorenzo de Almagro, passando pelos também argentinos Cipolletti, Platense, Defensores, pelos espanhóis Ourense e Murcia, além do mexicano Toluca.
Mas isso de pouco importa, pois como o próprio ídolo bostero já afirmou:

"Yo nací para jugar en Boca."

                                               "Veía a la gente y me convertía en He-man"


          La federal também conheceu o aguante de Blas

"Cuando yo jugaba en Boca, veía la camiseta blanca y roja y ya está: me daba odio, el de enfrente era el enemigo número uno. "
"La pelota o el jugador, las dos cosas jamás."